Muito pessoal


Ainda no meio da crise!

Na última semana rolou uma crise enorme, foi stress pra todo lado, frustração, choro pânico e gritaria. Enfim, não que tudo tenha se acalmado, mas acho que finalmente, depois de um longo e tenebroso inverno, estou conseguindo colocar o foco nas coisas certas.

Depois de orar um pouco e pensar na vida, me fiz uma pergunta, como seria a pessoa ideal? Não a pessoa que eu queria encontrar, essa eu acho que já encontrei (ou perdi de novo, nem quero falar sobre isso agora), queria saber o que eu precisaria para ser a pessoa ideal, dentro daquilo que eu entendo por pessoal ideal. Tomei um susto.

Tirando uma meia dúzia de coisas que eu realmente não tenho (algumas nem vou ter, ai mundo cruel) o resto estava lá, de algum modo eu sou a pessoa que sempre quis ser. Claro que faltam alguns passos na minha caminhada, se não seria o homem perfeito (não que esteja longe), mas eu estou bem. É que eu fico me focando nas coisas que eu não tenho e dou a elas uma importância muito grande. Por um segundo comecei a pensar no que tenho.

E apesar de todos os tropeço da minha vida (e olha que são muitos) tenho muito pra sorrir. E falem mal de mim, quem aos 28 fez o que eu fiz?

Tudo bem que não casei e tive meia dúzia de filhos (não que eu esteja com pressa, é que de tanto as pessoas pegarem no meu pé, tem dia que isso me enche o saco, da vontade me ajuntar – nem casar – com a primeira mocréia que aparecer, só pra dizer: Sociedade, eis que cumpro os teus desígnios!), mas aí eu olho pra uns casamentos que acompanho de perto, prefiro morrer na masmorra. É claro que conheço uma infinidade de gente feliz, esses sim dão gosto, mas meu dia chega, não preciso estressar com isso.

Tudo bem que um monte de planos na minha vida não se concretizaram, mas eu continuo sonhando e tenho projetos de vida, que aliás, vale a pena correr por eles, projetos que são de Deus (e nem adianta a pastorada corneteira dizer que eu naufraguei, eu estou no centro da vontade de Deus – se é que existe periferia, Calvino explica. E viva o comunismo!), meu, e não existe nada pior que viver por viver. Agora, em contrapartida, tem um monte de coisas acontecendo e dando certo todos os dias, é isso que eu vou celebrar daqui pra frente, chorar as derrotas, mas me alegrar com as vitórias.

Tem um monte de coisa que eu não consegui comprar na vida (o carro é o que mais me dói, snif, snif, snif) a única coisa que consegui comprar na minha vida foi uma meia dúzia de livros, que estão longe de mim, mas eu aprendi muito com eles (e com os outros que eu não consegui comprar, mas li) e cá estou eu, com uma história de vida que me alegro em contar (e encho o saco de quem quer ouvir). Talvez se eu tivesse guardado o dinheiro que gastei com telefonemas interurbanos pra falar com gente que nem e-mail me responde mais; com tentativas frustradas de namoros a milhares de quilômetros de casa, com viagens pra ver gente que nem deve mais lembrar de mim; com trabalhos voluntários que consumiram meu caixa; com passeios que não deram em nada; guardados esses milhares de Reais eu possivelmente teria um fusquinha. Mas em troca eu teria deixado de conhecer gente maravilhosa, pessoas que eu me orgulho de lembrar e dizer que conheci; não teria as histórias mais malucas; não teria ajudado um monte de gente em vários lugares do mundo; não teria me encontrado comigo mesmo. Talvez, não tivesse entendido a beleza do por-do-sol, não teria dado um beijo que jamais esquecerei; não tivesse marcado algumas pessoas, não tivesse feito gente por aí feliz. Estaria andando de fusquinha, ouvindo eguinha-pocotó no último volume, ensimesmado, achando que era o cara. E tendo a certeza de que minha vida era medíocre (porque seria mesmo)

Enfim, enquanto meus sonhos não se cumprem, não compro o meu carro, não caso com a mulher dos meus sonhos, não aprendo a tocar violão e continuo morando em república, vou distribuindo lenço aos que queiram chorar comigo e curtindo cada momento, sejam alegres ou felizes; porque viver pra Deus é sempre feliz, mesmo quando é triste. E me conhecer foi a melhor coisa que me aconteceu, e só aconteceu porque todas as outras coisas aconteceram.

Aos que quiserem conhecer um cara feliz, pode falar comigo.



Escrito por Alexandre Luquete às 22h16
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No meio da crise

Cá estou eu em mais um feriado em São Carlos e cá estou tendo que repensar minha vida, afinal, não sobra outra coisa pra fazer aqui nessa cidade a não ser isso.

Aconteceram algumas coisas que me fizeram pensar muito, cheguei a uma conclusão triste.

Teve um cara, irmão, gente boa (é sério, não estou sendo irônico) que ia pra Sampa, de carro e sozinho, o sujeito sabe das minhas crises por aqui; me ofereceu carona, por um segundo pensei na ilusão de ir pra casa nesse feriado (aqui definitivamente não é minha casa e nem é mais o lugar onde eu quero estar, cheguei a pensar que poderia ser), quando fiz uma pergunta: Quanto? A resposta me fez chorar: Ah! O mesmo preço do ônibus.

Não que o cara tenha a obrigação de me dar carona, não que eu ache que eu mereça, só pq quando posso ajudo o meu próximo, essas coisas não me deixaram em crise. E sim o fato do cara ser legal, ser cristão e não precisar do meu dinheiro (aliás, do de ninguém). Acho que ele fez isso sem pensar, sei lá, o fato é que fez.

Minha crise começou quando, imediatamente, me lembrei do versículo “se a vossa justiça não exceder e muita a dos escribas e fariseus de modo nenhum entrareis no reino dos céus”. Me lembrei de quantos “incrédulos” me ajudaram ao longo da minha vida e fizeram o bem a mim, mesmo sofrendo o prejuízo por minha causa. Aí, eu comecei a olhar pra minha vida e ver que minha justiça não excede. Me senti mal por causa disso.

Já há um tempo que eu me sinto meio sozinho no cristianismo e eu sempre tenho procurado saber onde eu estou errado. Afinal, eu não acredito no G12, eu não acredito no pentecostalismo, eu não acredito no fundamentalismo, eu não acredito na igreja internacional de Cristo, eu não acredito na universal, eu não acredito no tradicionalismo, eu não acredito no evangelicalismo. Só me resta montar uma seita. Mas aí eu olho pra bíblia e vejo que não posso viver isoladamente, o cristianismo é, necessariamente, coletivo. Deus, o que é que eu faço?

Infelizmente, só consigo me identificar com um cristianismo da literatura, que está longe, idealizada, livre de qualquer problema ou pecado, o cristianismo dos heróis da fé, tipo, Lloyd-Jones, Spurgeon, Johnatna Eduards (e ainda descobri que esse último foi demitido da igreja pq as pessoas não suportavam seus sermões, ai, como isso me faz mal)

No meio desse rebolo todo só espero que não me resta apenas cobrar pelas caronas e esperar o julgamento, minha oração é que eu possa resistir até o final, ou que o Espírito Santo me leve ao encontro e me mostre que ele é “tremendo” e eu seja só mais uma ovelha no meio do rebanho (aliás, essa foi minha oração a vida inteira, ser apenas mais um)



Escrito por Alexandre Luquete às 16h26
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