Coisas sérias


Capítulo 6 – Remorsos Inúteis (parte 1)

“E por derradeiro de todos apareceu também a mim, com ao um abortivo. Porque eu sou o menos dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. Mas pela graça de Deus sou o que sou; e a sua graça para comigo não foi vã, antes trabalhei mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (I Coríntios 15: 8 – 10).

 

Nesse sexto capítulo o Dr. Jones trata do mesmo assunto do capítulo anterior mas de uma maneira diferente, não apenas como um pecado específico, mas olhando para uma vida inteira.

Ele volta sua atenção em especial àqueles que entraram no evangelho demasiadamente tarde, ou seja, passaram muito da sua vida sem Cristo e agora estão sofrendo de depressão espiritual  por acharem que se tivessem entrado antes no Reino de Deus poderiam ter feito muito mais para Cristo.

Seu sintoma mais geral é ouvir a voz de satanás a lhe enganar e dizer que de fato essa pessoa perdeu muito tempo e agora só tem a lamentar. O tratamento, de modo geral, é feito a partir do conhecimento adequado das escrituras. Lembrando sempre que tratamos de cristãos e olhamos essa doença a partir da fé.

A característica principal dessa pessoa é olhar e dizer “quantas oportunidades eu perdi!” “Se tão somente eu tivesse oportunidade de voltar no tempo” Essa pessoa se ressente se um tempo que já passou e por isso sente remorso, e isso a impede de se desenvolver, tornando-a miserável.

Claro que não podemos olhar para nosso passado sem que tenhamos algo a lamentar, o problema aqui é diferenciar uma tristeza legítima e uma atitude errada, que leva ao abatimento e a miséria.

Tomando como base o testemunho do apóstolo Paulo e a parábola dos trabalhadores da vinha, contada por Jesus em Mateus 20: 1-16 segue-se a análise a proposta para tratamento.

O primeiro alerta que o autor faz é com relação aos cristãos que pensam “que precisam sempre fazer tudo de uma forma exclusivamente espiritual” (p. 73). Ele exorta os cristãos a usar também a inteligência. Ressalta que muitas vezes os cristãos passam muito tempo orando por algo mas não tomam atitudes simples para resolver seus problemas.

Nisso vemos também um pouco do pensamento calvinista “Quando lemos as obras dos escritores seculares, a luz da verdade que freqüentemente brilha neles tão admiravelmente pode muito bem lembrar-nos que a mente do homem, conquanto caída e pervertida, ainda está revestida e adornada por Deus com dádivas primorosas. Se cremos que o Espírito Santo é a única fonte da verdade, não importa onde ela se manifeste [...] O Espírito Santo dispensa Seus dons como quer para o benefício da humanidade” ( As institutas da Religião Cristã, Um resumo. J. P. Wiles. PES. p. 113) .



Escrito por Alexandre Luquete às 07h44
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Capítulo 6 – Remorsos Inúteis (parte 2)

Todo o racionalismo calvinista pode ser visto facilmente nos seus aconselhamentos, ele não cessa de fazer menções à ditados populares e coisas assim, ele exorta que o cristão deve primeiramente pensar. E se os homens nos indicam uma saída boa devemos aproveitar “Porque não aplicar bom senso e sabedoria humana a uma situação?” (p. 74)

Se você está lamentando um passado desperdiçado deve agora compensa-lo no presente. Paulo lamenta ter sido o último dos apóstolos (após ele não houve mais nenhum) mas se alegra por que pode trabalhar mais que todos os outros,por causa da graça de Deus.

Como Paulo foi o último de todos os homens a ver o Senhor ressurreto ele fala a seu respeito como alguém fora do tempo, um “abortivo”.

Enfim, passamos a olhar algumas recomendações bíblicas sobre isso, nesse caso, não importa o que tenha sido em outro tempo, caso seja um cristão, importa o que é agora, como o próprio apóstolo diz “mas pela graça sou o que sou”.

Dr. Jones faz uma citação que parecer de algum hino conhecido de sua congregação, mas que para nós leitores brasileiros simplesmente se perdeu a fonte, mas é lindo nesse contexto:

Resgatado, curado, restaurado, perdoado,

Quem mais pode cantar Seus louvores como eu?” ( p. 77)

 

Assim, o interesse de um cristão em relação ao seu passado deve ser o de olhar para ele e glorificar a Deus pelo que é hoje. Os que lamentam a sua tardia entrada no cristianismo devem estar felizes por terem entrado, o que importa é o que se é hoje.

O que melhor ilustra isso é a história de uma pessoa que chegando a uma exposição, sendo o último da fila, ao, finalmente, conseguir entrar se lamenta de ter sido o último e não observa a exposição, apenas chora. Não importa a hora em que se entra na galeria, deve-se apreciar as pinturas.

Ele aponta como uma das causas para esse problema é que as pessoas que se tornam miseráveis e depressivas por causa de remorsos pelo passado estão morbidamente preocupadas consigo mesmas, estão se julgando o tempo todo, parecem até ser humildes, porém é uma humildade falsa. Elas estão se julgando e se condenando.

Se por um lado parece que essa preocupação é verdadeira, por outro, demonstra que elas estão preocupadas consigo mesmas e estão esquecendo do Senhor. Na parábola temos os que entraram na vinha logo cedo e os que entraram mais tarde, mesmo esses últimos deviam começar a trabalhar no tempo que lhes restava.

Por isso o cristão nessa condição deve tirar os olhos de si mesmos e alegrar-se no Senhor que os chamou, mesmo que seja já tão tarde. Pode-se dizer, como no caso da viúva pobre que depositou apenas uma moeda no gazofilácio, que Deus está preocupado com o coração não com a quantidade.

Um dos princípios do aconselhamento de Lloy-Jones está em colocar o olhar no lugar certo, ou seja, uma mudança de perspectiva. Os problemas até aqui alistados são sempre perspectivas falsas, ou seja, contrárias à sã doutrina cristã, e podem ser resolvidos por meio da fé, mas que essa seja genuína e bem fundamentada.

Por tanto, a questão da idade é irrelevante no Reino de Deus, a ênfase dada à juventude não é o correto, o que buscamos é a graça de Deus. Como diz “Pela manhã semeia tua semente e à tarde não retires a tua mão”. E como chamavam a atenção os profetas, Deus restituirá os anos que foram consumidos pelo gafanhoto.

Nunca devemos olhar para o nosso passado para desperdiçar nosso tempo, devemos nos alegrar com nosso presente e glorificar a Deus pela sua graça. Louvamos a Deus pelo que somos.



Escrito por Alexandre Luquete às 07h41
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Capítulo 5 – Aquele Pecado

Capítulo 5 – Aquele Pecado

“mas por isso alcancei misericórdia, para que em mim, o principal, Cristo Jesus mostrasse toda a sua longanimidade, a fim de que eu servisse de exemplo aos que haviam de crer nele para a vida eterna.” (I Timóteo 1. 16)

 

Nesse capítulo Lloyd-Jones está analisando o problema daqueles que se tornaram miseráveis  por causa de seu passado. Mais especificamente cristãos que se entristecem por causa de um pecado em específico, ou quanto à forma que ele assumiu em algum caso em específico.

Geralmente as pessoas que têm problemas dessa natureza são pessoa que fizeram algo grande. E que, invariavelmente estão voltando a isso. São atitudes ou situações que estão sempre em nossa memória.

Para ilustrar o autor conta a história de um homem que se converteu aos 77 anos. Tinha feito em sua vida quase tudo o que poderia, havia se arrependido de tudo (bebedeiras, jogatinas, etc) porém, por uma blasfêmia que havia feito em dia específico havia se tornado triste. Pois cria que Deus o havia perdoado de tudo, menos disso.

Esse é o assunto dessa mensagem, uma pessoa que é capaz de se livrar de quase tudo, menos desse pecado; e dele se tornaram escravos. São pessoas que vivem dizem “mas”. Deus me salvou, mas...

Acho interessante, como já disse de outras vezes, ele vai sempre trazer as coisas ao nível da razão (pelo menos nessa parte inicial do livro, depois ele muda um pouco).  Ele afirma algumas coisa que podem parecer estranhas, mas fazem todo sentido na sua argumentação. Primeiro diz que é preciso uma compreensão mais clara da doutrina bíblica sobre a salvação. Segundo que, nesse caso, é preciso parar de orar para começar a pensar. Diria que é preciso criar um conceito como racionalidade fideísta. Ou voltar-se para o clássico “crer é também pensar”.

Pensar para ele é trazer à mente as grandes doutrinas bíblicas, meditar sobre as grandes biografias e como a graça de Deus se manifestou por meio delas. Pensar em Paulo e dizer: se homem alcançou a misericórdia eu posso também.

Um dos problemas na nossa espiritualidade é considerar pecados granes ou pequenos, pecadores mais sujos, conversões mais espetaculares. Mas, na verdade, só existe um pecado: incredulidade. Ou infidelidade, já que fé é um termo que designa não só o que crê, mas também o que é fiel.

A segunda verdade a ser entendida é que a mesma graça de Deus é necessária para salvar qualquer pessoa. Pois o que qualquer pecado traz, de igual modo, é a separação entre Deus e os homens. Por isso, nosso pensamento deve ser desviado de um pecado em si para pensarmos apenas em Deus, pois esse é o grande problema, em como somos ou não fiéis a Deus.

A incredulidade (ou infidelidade) esse é o problema.

Assim, continua argumentando que se uma pessoa continua achando que um pecado qualquer é capaz de a tornar infeliz o problema é incredulidade. Essa pessoa não está confiando que a Palavra de Deus seja verdadeira ao proclamar o perdão e não misericórdia de Deus.

É por isso que Jones propõe que se cesse as orações, nesse sentido, elas são a demonstração da incredulidade, pois se cremos no perdão não precisamos insistir, apenas lavar-se uma traz o perdão.

O tratamento para uma pessoa que passa por um problema como esse é demonstrar s doutrinas bíblicas sobre esse tema. Nisso não há como discordar, pois se a palavra não é capaz de curar alguém que não se sente perdoado, nada mais o será. Assim, a espiritualidade vem depois do conhecimento.

Como tem feito até aqui, ele procura demonstrar que o problema está no foco, ou qual é o lugar onde estamos colocando nossos pés. É possível olhar para os nossos pecados, nenhum cristão deve se esquecer do que foi no passado, mas sua perspectiva deve ser a de glorificar a Deus; todo pecador deve olhar e dizer, sim, eu fui um grande pecador, mas glória a Deus que teve misericórdia de mim.

Se alguém olha o seu passado como um peso que não pode ser aliviado, está olhando da forma errada. Nuca devemos nos esquecer do mandamento: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos.”



Escrito por Alexandre Luquete às 11h33
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Capítulo 4 - Mente, coração e vontade 1a. parte

Capítulo 4 - Mente, coração e vontade

“Mas graças a Deus que, tendo sido servos do pecado, obedeceste de coração à forma de doutrina a que fostes chamados” (Romanos 6. 17).

 

Continuamos nossos resumos do livro “Depressão Espiritual”, nesse capítulo, como o nome se aponta, ele vai tratar de tr6es aspectos da composição do homem: a mente, o coração e a vontade. Na sua didática, Lloyd-Jones, sempre recapitula o que disse anteriormente, assim começando por reafirmar algumas coisas sobre o problema acrescenta algo, que para os mais desavisados, soa estranho “o tipo de pessoa que pensa que desde o momento que aceitamos o Senhor Jesus Cristo todos os nossos problemas ficam para trás, e “viveremos felizes para sempre” certamente sofrerá de depressão espiritual algum dia” (p.47), afinal, essa é uma promessa que pode ser vista em qualquer esquina hoje. Porém, com clareza de argumentos demonstra que estão destinadas muitas aflições para todos os cristãos, aliás, é um indicativo do cristianismo o passar por elas, mas ressalta que os cristãos desprevenidos nessa hora sofrerão do problema que tratamos.

Pode-se dizer que essa é a descrição de um cristão “obedeceste de coração à forma de doutrina a que fostes chamados”. Para desenvolver esse argumento ele afirma que o homem é composto por esses tr6es aspectos: mente, coração e vontade, essas coisas devem estar em perfeito equilíbrio, o desequilíbrio é uma das causas da depressão espiritual, e sim, o evangelho de Cristo trata de todas elas.

Um cristão desequilibrado pode ser furto de um pregador desequilibrado ou de uma comunidade desequilibrada, dificilmente um cristão será diferente da igreja em que ele congrega.

Assim, se a doutrina apresentada for distorcida ou incompleta, assim será o novo cristão, mais ainda “todos os membros de um grupo em geral são muito parecidos, e existe um certo caráter comum entre eles” (p.49). Isso é muito interessante do ponto de vista da psicologia social, uma comunidade coesa, como é uma igreja, tende a adoecer junta ou a florescer junta. Isso, claro, vítima de um ensino ruim das doutrinas cristãs.

Uma pessoa que tem uma visão parcial do evangelho tende à depressão mais facilmente. Existe, sim, a possibilidade de um cristão se tornar muito infeliz porque nunca entendeu a dimensão do evangelho e que ele cobre toda a experiência humana.



Escrito por Alexandre Luquete às 11h47
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Capítulo 4 - Mente, coração e vontade 2a. parte

Mas pode ser que o problema não esteja no grupo, porém no indivíduo, pessoas que são parciais em sua resposta podem ter esse problema, o cristianismo pressupõe uma entrega total. Não basta apenas colocar o intelecto a serviço de Cristo, como muitos pensam que podem usar o cristianismo como forma de ética ou política. Ou até mesmo de forma ideológica, achando que seus princípios podem melhorar o mundo. Outros têm experiências meramente emocionais, são pessoas que choram, têm crises emocionais, se sentem bem e acham que isso é o evangelho todo. Ou, até mesmo, pessoas que se sentem fascinadas por algo místico, podem mesmo encontrar, e isso basta. São pessoas que vão aos cultos e encontram algum conforto, porém “suas mentes estão pouco envolvidas, e infelizmente muitas vezes nem mesmo a vontade foi envolvida” (p. 55).

Um terceiro grupo é o dos que se envolvem apenas no âmbito da vontade. São pessoas que decidiram que seguirão Jesus, elas “decidem adotar o cristianismo, em vez de serem dominadas por ele” (p. 55). Não sabem que a conversão é um ato de entrega e não de aquisição. Por isso “decisão por Cristo” é um termo que expressa o contrário do que estamos afirmando, o correto é a submissão à Cristo. Essa decisão é o exato contrário da graça.

Esse evangelho que nos referimos “pode satisfazer completamente o intelecto do homem, pode comover o coração integralmente e pode levar a uma obediência total de coração no domínio da vontade. Esse é o evangelho, Cristo morreu para que pudéssemos ser homens completos [...] para que houvesse equilíbrio em nós.” (p. 56).

Assim, ele propõe uma forma de estar diante do evangelho, primeiro a doutrina, no cristianismo não deve haver em primeiro lugar o interesse em atrair as multidões, a primeira preocupação é pregar de forma coerente o evangelho, é evidente que os apóstolos não foram enviados para trazer pessoas mas para “pregar a verdade”. Assim, um diagnóstico para todo cristão é verificar se conhece bem os fundamentos da sua fé, caso contrário, é presa fácil da depressão.

A verdade deve chegar em primeiro lugar à mente, essa, iluminada pelo Espírito Santo, pode compreender a verdade. Ela, sozinha, tomará conta do coração e produzirá o amor pelo evangelho, daí vem o desejo, nesse ponto entra o coração, depois de entendida você pode senti-la. E isto, conduz à submissão da vontade e o desejo de viver essa verdade/

Como bom calvinista que é, começa sempre pela razão e creio ser esse um bom caminho as emoções e as vontades podem ser mais facilmente levadas, mas um cristão de verdade não é produzido em um momento de crise apenas, mas ele se constitui plenamente e em equilíbrio. Porém, os seres humanos estabelecem o contato entre si, primeiramente, pela razão, começando, então pelo intelecto, deve-se chegar ao coração  e finalmente à entrega da vontade.

De minha parte creio ser isso um caminho interessante.

 



Escrito por Alexandre Luquete às 11h46
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Essência e aparência

Nossa, seu texto ficou bom, hein! Sinceramente... Acho, também, não sei, posso estar desviando o assunto, mas... A gente sempre confunde alegria com felicidade, mas acho que podemos ser felizes sendo tristes, vez ou outra. A felicidade, não sei bem dizer, mas acho que tem a ver com o sentido que vc falou... Tendo o sentido, vc é feliz. Seria possível ser feliz sem Deus? Não sei... Talvez alegre, um sentido superficial, não sei... Mas o seu texto ficou mesmo jóia! Parabéns, amigo! :***

[Ju][www.jujudeblu.zip.net]

 

Bom... entendi em partes, acho que preciso ler de novo. Mas eu fiz a pergunta mais por um motivo. Repito, novamente, e em letras maiúsculas, QUE NÃO TENHO NAAAAAADA CONTRA NENHUMA RELIGIÃO, e nem tô precisando por enquanto de nenhuma, mas que é certo que eu, andando por aqui, vejo às vezes em algumas Igrejas (q não vem ao caso mencionar) faixas do tipo "Cura depressão e mal estar", ou coisas do tipo. E não que eu desacredite que a fé não possa realmente curar, mas sei lá, sempre acho que é bom se discutir sobre esses assuntos! Esperarei a segunda parte da resposta, fico muito grata pela discussão...

[anniesmiley][www.smileyhouse.blogger.com.br]

 

Primeiro eu gostaria de agradecer o elogios, a paciência e a oportunidade dessa discussão que tem me ajudado muito nesse tema, aliás, recebi até um incentivo para tentar aprofundar as discussões e quem sabe chegar a um livro. Pelo menos por enquanto não to com essa pretensão, acho que se ficar alguma coisa que possa ajudar as pessoas já estou feliz.

Peço desculpas pela demora, eu definitivamente não estou dando conta de todas as coisas que tenho aqui na universidade, mas sempre que puder vou responder; se não o faço com certa frequência é que falta tempo ou neurônio para faze-lo.

Também vou tentar ser mais breve nas respostas, acho que escrever 50 páginas pra uma pergunta é meio cansativo e também preciso aprender a ser mais breve naquilo que escrevo.

De fato, na minha humilde opinião, há uma diferença entre felicidade e alegria. Seria a diferença entre a essência e o momento. E isso tem tudo a ver com o que entendo por cristianismo. Um cristão não está se tornando uma pessoa melhor, ele passa a ser uma outra pessoa, não se trata de uma reforma do interior, ou redecoração, é nascer de novo.

Esse novo nascimento é descrito, num momento espiritual, ou seja, Cristo passa a habitar no interior da pessoa que o recebe, seus pecados são perdoados e sua relação com Deus restaurada.

Mas, apesar dessa nova natureza, é perfeitamente possível que a pessoa passe por tristezas, desilusões, provações, angústias e um monte de outras coisas. É aí que tem início o que estamos tratando, a depressão espiritual, da forma como já tem sido discutido.

Algumas considerações sobre o pensamento do Lloyd-Jones, não é nesse livro que ele trata a respeito de uma parte da pergunta da anniesmiley  "E não que eu desacredite que a fé não possa realmente curar" Essa é uma forma comum de pensamento no meio religioso brasileiro (do qual os cristãos, lamentavelmente, não escaparam). No seu comentário sobre a carta de Paulo aos Romanos, Lloyd-Jones, mostra, de maneira exaustiva, como essa forma de pensamento está errada. Não posso agora voltar à obra para fazer referências, mas de memória posso comentar que a fé em si (na relação com Deus, não estou falando do lado psicológico ou psicossomático, acho que disso vocês entende melhor que eu) não tem nenhum poder, Deus cura porque ele é Deus, e, mesmo a fé, é um dom dado por ele.

A fé, nessa relação, é apenas como a mão do mendigo pedindo algo de bom, não uma justiça, ou um mérito, nem mesmo uma força que atrai a atenção de Deus, como se pela fé eu pudesse manipular a divindade. Assim, Deus é Deus e eu sou apenas homem, não tendo como disputar a sua glória, não há como fazer exigências, ou reivindicar direitos, eu sou apenas servo. O que faço (obras, orações, ofertas) é agradecimento pelo que o Senhor já fez em minha vida.

E a razão para não aceitar a depressão espiritual é para poder viver de acordo com a essência do que agora sou e não me tornar aquilo que o momento quer fazer de mim.

De minha parte, sobre precisar ou não de religião, acho que o principal pra mim foi ter me encontrado com Deus e que ele se tornou o centro de minha vida, isso fez toda a diferença.

Na paz!



Escrito por Alexandre Luquete às 21h20
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Mais respostas I

Essa é a pergunta e a primeira parte da resposta, no post abaixo segue a segunda parte.

 

anniesmiley:  

Viu como gostei daqui, até voltei pra ler a conclusão! :D... daí cheguei aqui e tinha esse post, e daí eu tenho uma pergunta que não quer calar. Na seguinte afirmação: "Eu creio (como ele também) que o relacionamento estremecido com Deus é capaz de entristecer a tal ponto o cristão que esse fique doente", é mal entendido meu, ou isso quer dizer que as pessoas que têm uma religião cristã (e aí eu excluo muuuita gente de diferentes religiões) e cumprem devidamente com seus deveres de cristão, inclusive com a fé extrema, tipo... essas pessoas não sofrerão, em hipótese alguma, de depressão? E isso quer dizer tb, que as pessoas que não tem religião, ou aquelas que crêem muito mais na razão do que em qualquer outra coisa, todas elas, são depressivas? Num sei... mas eu tenderia a discordar dessa afirmação. Mas eu num sou muito recomendada pra falar de depressão, afinal se o pote de sorvete acaba, eu já fico triste... Beijinhos!

Comentário de 17/05/2005 às 23:48

 

Mais uma vez matando tempo de estudo quero responder a uma pergunta posta nesse bloguinho; aliás, vale dizer, a pergunta foi muito inteligente e pertinente. Ainda quero dizer que tenho gostado muito dessa discussão, afinal, estou tendo que pensar um pouco para responder a essas perguntas e estão me ajudando a refletir sobre o tema da depressão espiritual, indo um pouco além do que o Llyd-Jones propôs.

Estou falando do tema a partir da perspectiva da fé, existem muitas causas para esse problema, mas por enquanto estamos olhando essa em especial; mesmo em seu livro Martin Lloyd-Jones fala sobre várias causas, estamos apenas na primeira delas. O autor desse livro era médico, no seu prefácio ele afirma que gostaria de ter aprofundado mais o tema, olhando por exemplo a relação entre o físico, o psicológico e o espiritual, porém, lamenta não poder faze-lo num sermão.

Eu não seria incoerente de achar que a fé é a única coisa que move um cristão, mas não posso negar que ela ocupa um lugar muito especial em sua vida, por isso, quando ela está em crise isso pode ser visto em outras coisas da vida.

Quando Lloyd-Jones fala da depressão ele não se refere apenas a uma tristeza, como se tivesse acabado o sorvete, ele fala que o salmista está compartilhando a “sua perturbação , a infelicidade de sua alma” (p.10), descreve o problema como sendo “superficialidade e miséria” (p. 23), entenda, o problema é profundo.

Estamos tratando de um problema que não é raro, mesmo em 1960 (mais ou menos quando foi exposta essa coletânea de 21 sermões na capela de Westminster, Londres) era algo considerado comum, como diz “Não há dúvida que o problema conhecido como depressão espiritual é bastante comum” (p.22), daí a necessidade de se tratar o problema com o maior número de pessoas possível, pessoas cristãs, o que quer dizer que há a depressão entre cristãos sim. E não é somente por causa da fé, é que ainda estou analisando o começo do seu livro, e mesmo esse não analisou todas as causas.

Se bem que o meu interesse é pelo seu método e não pela listagem dos problemas.

Há um lugar todo especial da tristeza na doutrina cristã, Jesus chorou pelo menos duas vezes (João 11. 35; Lucas 19. 41) Pedro, o apóstolo, chorou  (Lucas 22. 62). A correção de Deus é motivo de tristeza momentânea (Hebreus 12. 11), entre tantas referências que poderia dar, mas digo essas apenas pra dizer que o cristão pode estar deprimido ou triste, mesmo quando sua fé está firme.



Escrito por Alexandre Luquete às 14h59
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Essa é asegunda parte da resposta

Nosso autor diz algo que não me agrada quando justifica porque devemos tratar do problema da depressão, ele afirma que é porque um cristão deprimido é uma péssima referência do evangelho, logo em seguida (p.11) reconhece ser esse um motivo pragmático. Fico feliz com sua sinceridade, mas o que me traz a esse tema é porque um cristão deprimido, vivendo a superficialidade e miséria, não pode usufruir da plenitude de vida e alegria que o Senhor propõe aos seus filhos (mesmo que para chegar a isso tenhamos que passar por alguns momentos de tristeza, como no choro de lamentação ou arrependimento, ou mesmo porque somos exortados como filhos, nos textos mencionados acima).

Contudo, creio que seja de extrema pertinência começar a estudar a depressão de um cristão por sua fé, pois ela é fundamental na vida cristã, mas não é a única coisa que age sobre ele. Respondendo sua pergunta, um cristão pode estar triste.

Sobre sua pergunta, acho que ela é um pouco mais complicada que a primeira; pois alguém que não tem religião alguma pode sim passar por todo uma vida feliz. E já que um cristão também pode estar deprimido e alguém que não é cristão pode viver uma vida feliz, a pergunta na verdade é , por que é que alguém, então, precisa ser cristão?

Contemporâneo de Darwin foi um dos mais famosos escritores americanos de todos os tempos, Mark Twain. Em sua auto biografia escreveu “Milhares de homens nascem; eles labutam e transpiram e lutam pelo pão; eles brigam, xingam e guerreiam; correm atrás de pequenas e rudes vantagens uns sobre os outros.

A velhice paulatinamente os alcança e as enfermidades seguem. Vergonhas e humilhações derrubam as suas soberbas e vaidades. Aqueles que eles amam são raptados e a alegria da vida é transformada em tristeza dolorida.

A carga da dor, preocupação e sofrimento se torna cada vez mais pesada ano após ano. Finalmente a ambição morre; o orgulho morre; a vaidade morre; são substituídos pelo desejo de partir. Finalmente vem – o único presente sem veneno que a terra jamais lhes deu – e eles desaparecem do mundo onde foram sem conseqüência; onde contribuíram nada, onde eles foram um erro, falha e tolice; onde eles deixaram nenhum sinal de existência – o mundo os lamentará por um dia e os esquecerá para sempre.”

O apostolo Paulo não era famoso, passou mais tempo na prisão do que recebendo elogios. Foi açoitado e apedrejado. No fim foi decapitado. Mas morreu feliz por que soube que Deus o tinha escolhido para servir.

Sua conversão ocorreu após sérias lutas contra o cristianismo. Jesus Cristo , que ele pensava ter morrido, mas certamente não ressuscitado como os cristãos afirmavam, apareceu para ele na estrada de Damasco. A experiência o convenceu para sempre que Jesus estava vivo, que ele era o filho de Deus e que sua morte tinha como Isaías tinha profetizado 700 anos antes : “Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; ... ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (Isaías 53. 4, 5).

Uma vez que Paulo veio a conhecer Jesus Cristo ressurreto sua perspectiva foi transformada. Não importava sofrer, porque a vida tinha sentido. Não importava morrer uma vez que a ressurreição de Jesus garantia sua ressurreição também.

Todo homem e mulher têm de decidir qual das perspectivas sobre a vida é melhor, uma vida sem Deus e, portanto, sem sentido, ou uma vida em comunhão com Ele, aceitando pela fé o Senhor Jesus como seu Senhor e salvador pessoal. Eu tenho reconhecido todos os dias  que sem Deus não existe sentido em nada que fazemos. A vida, segundo os existencialistas é absurdo, a não ser que Deus exista e tenha se revelado para nós por meio do seu filho, Jesus Cristo nosso Salvador.

Acho que era isso. E se leu até aqui é pq realmente queria saber a resposta, espero ter ajudado.



Escrito por Alexandre Luquete às 14h54
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Resposta.

“Mas, amigo, quando a razão está operando de forma exacerbada, ocorre a neurose. Entretanto, esta, no meio cristão, não é vista como um "problema", porém, ela é um dos grandes motivos de o povo de Deus ser doente sem saber. O quê eu realmente não entendo é se há como dizer-se que há uma "depressão espiritual", porque não consigo separar isso, embora que na igreja seja feita essa separação. É um pouco estranho para mim... falo, quase que como leiga. Em assunto de bíblia e da relação corpo-alma-espírito, me falta muito para conhecer... Mas é isso, vc pode me ajudar!! :D” (Juju, em algum coment por aí)

 

 

Hoje sobrou um tempo (na verdade estou deixando de lado uma matéria importantíssima, mas o que importa é o que dá vontade) então quero responder a algumas perguntas da Juju, sobre o tema da depressão espiritual.

A Jussara, além de minha é amiga, é estudante de psicologia. A psicologia é algo que eu não gosto, não pela psicologia em si, mas por que eu entendo que o trabalho pastoral é diferente do trabalho psicológico. O trabalho pastoral é cuidar da alma no sentido soterológico, o psicólogo cuida da alma em outro campo, nem sei qual, mas é em outro. Daí, como é legal esse diálogo, e eu estou tentando formar meu método de aconselhamento pastoral, acho que é algo que vai contribuir muito.

Na proposta de Lloyd-Jones, razão fé e emoções devem estar em harmonia, nunca uma maior que a outra; o ser humano, como unidade que é, não pode deixar se levar apenas por uma das três. No caso que está analisando (O deprimido Davi do Salmo 42) a harmonia foi quebrada, por algum motivo, que não se sabe ao certo, a fé de Davi foi abalada, fazendo com que seus sentimentos estivessem desorientados; nessa hora só lhe resta um momento racional e por meio de argumentação consigo mesmo para reordenar o seu “eu”.

O homem, segundo Lloyd-Jones, não pode ser levado de um lado para outro pelos sentimentos ou pela fé, quando esses estão abalados, o perguntar-se “por que estás abatida minha alma?” é simplesmente para trazer à consciência os referenciais corretos de vida, como os lugares seguros em que devemos nos prender em momento de crise, no caso, a fé em Deus e a esperança de ser restituído ao culto do Senhor. Feito isso, as três voltam ao seu normal, e o homem pode, juntamente, sentir, crer e pensar.

No caso, Lloyd-Jones está afirmando uma forma de análise pastoral com a qual eu me identifico muito, olhamos as pessoas por meio da fé, e entendemos que os problemas que vamos tratar são aqueles relacionados com ela (então psicólogos, vosso emprego está salvo! Não que estivesse ameaçado algum dia, hahahaha), por isso depressão espiritual é, necessariamente, um abalo na fé que vai se manifestar em outros aspectos da vida, e, em alguns momentos pode ser confundida com outras doenças. Eu creio (como ele também) que o relacionamento estremecido com Deus é capaz de entristecer a tal ponto o cristão que esse fique doente.

Veja esse salmo, Davi, por algum motivo, talvez por um pecado, foi afastado do culto a Deus, por conta disso, seus inimigos passaram a zombar dele, perguntando “onde está o seu Deus?” A conseqüência disso é uma declaração interessante “as minhas lágrimas têm sido o meu alimento de dia e de noite”, um claro estado depressivo, deixando de se alimentar, chorando freqüentemente e tendo diante de si, constantemente, a declaração que lhe entristecia; um prozac talvez resolvesse o caso? Se a hipótese do pecado está certa, somente o perdão e a restauração da comunhão com Deus poderia ser eficaz nesse caso.

Por isso o método mais racional, perguntando o que aconteceu e qual a razão para tal abatimento.

Acho que era isso, se quiser saber um pouco mais sobre a doutrina do homem pode consultar a “Teologia Sistemática” de Louis Berkhof, ou outro livro, mas no momento é esse que posso indicar, só tem ele na minha estante em São Carlos, os outros estão em São Vicente.

Juju, espero ter ajudado.



Escrito por Alexandre Luquete às 18h12
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Resumo de “Depressão espiritual” D. M. Lloyd-Jones. Cap. 2

Capítulo 2 – O verdadeiro fundamento.

“Concluímos que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” Romanos 3.28

 

O texto básico desse capítulo é analisado à luz do primeiro, o que vale para todo livro. Vale dizer que a depressão é algo comum e que o cristão precisa sobre sair em alegria e segurança nesse mundo sem rumo. Contudo, há um lugar para a tristeza no cristianismo, mas, tristeza e depressão são coisas bem diferentes.

Dentro de seu método, o homem deve conversar com o seu “eu” interior, questionando e se perguntando “por que estás abatida, ó minha alma?”.

Um dos tipos comuns de deprimidos espirituais é a pessoa que viveu toda a sua vida como um cristão, mas viveram “presos em superficialidade e miséria”, são, como chama Lloyd-Jones,  cristãos miseráveis. Pessoas que não entenderam bem os fundamentos do cristianismo bíblico.

Partindo do exemplo de John Wesley tenta mostrar como cristãos que não tiveram uma experiência plena com Deus podem viver uma vida miserável. John Wesley teve uma experiência profundo em 1738, nesse momento ele entendeu perfeitamente o que quer dizer “justificação pela fé”; desse momento (e não de sua conversão) ele tem um crescente em sua vida cristã e chega a ser o homem que foi.

Nesse trecho parte da racionalidade para a fé, chegando às emoções, argumenta da seguinte maneira, o fundamento precisa ser sólido, um cristão com bases frouxas jamais crescerá muito, por isso o bom conhecimento doutrinário será fundamental quando se tornar necessário confrontar-se “consigo mesmo”.

No âmbito da fé, essa doutrina ocupa o lugar central na vida de um cristão; por isso Paulo começa sua carta aos Romanos com esse tema, de modo a mostrar que o desenvolvimento de um cristão seguro (esse é o antônimo para cristão miserável) se dá quando se entende o a justificação por meio da fé. Veja-se os judeus, tinham um belo edifício religioso construído, porém, o seu conceito de justiça diante de Deus estava todo errado o que os fazia inaceitáveis diante de Deus.

Daí se conclui que um relacionamento verdadeiro com Deus traz uma vida feliz.

Desse ensinamento é preciso fazer algumas considerações, para uma vida segura, é preciso uma convicção correta de pecado, ou como ele diz, é precisa passar pela miséria e desespero antes de se conhecer a verdadeira alegria cristã. Assim, existe uma miséria verdadeira e uma falsa, a verdadeira te conduz, necessariamente à felicidade.

A dificuldade com em se crescer em um lar cristão é o fato de haver pouca convicção de pecado, e estaremos errados se não considerarmos verdadeiramente os nossos pecados. Um dos problemas dos crentes miseráveis é que se prendem a pecados específicos e isso causa depressão, pois não podem se livrar de pecados mais gerais.

Quer dizer, às vezes se pensa nos grandes pecadores, ladrões, prostitutas, bêbados, mas se esquece que se deve amar a Deus acima de todas as coisas; não se livrar desse pecado é tão grave quanto todos os outros, ou seja, todos nós somos pecadores da pior espécie, a igreja não é outra coisa senão a comunidade dos pecadores.

Por isso, os homens e mulheres na igreja são convidados a ter uma experiência real com Deus, não apenas saber que Ele existe, mas andar com Ele. Não é possível ter uma vida plena sem essas coisas, um bom fundamento doutrinário, reconhecimento de pecado e comunhão com Deus.

O segundo princípio desta seção é que a única forma de salvação correta é por meio de Cristo, que ele é plenamente suficiente na obra da salvação.

Sobre isso há algo que pessoalmente combato há algum tempo como sendo causa de depressão espiritual, são os grandes testemunhos dos “grandes ex”, eram mais pecadores que eu os grandes traficantes, assassinos, bruxos, etc, por isso são mais salvos que eu. A conversão de um famoso ou rico é mais celebrada que de uma pessoa comum. Não há saída para a depressão enquanto não se perceber que ninguém é mais perdido que outro, por isso ninguém está mais a salvo que outros, em Cristo somos todos salvos, pois éramos todos por natureza filhos da ira de Deus. O cristão miserável varia entre o pecador demais e o bom demais.

O caminho para se livrar da depressão (nesse caso em específico) está em reconhecer o seus pecados, para aquele que se vê justo demais, e saber que eles foram lavados por Cristo e não têm mais poder sobre nós. Não há nada como a alegria da liberdade.



Escrito por Alexandre Luquete às 12h16
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Resumo

Resolvi publicar um resumo que estou fazendo desse livro, com algumas interferências minhas, tem me  ajudado muito, depois publico os outros capítulos.

 

 Resumo de “Depressão espiritual” D. M. Lloyd-Jones.

 

 

Capítulo 1. Considerações gerais.

Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei na salvação da sua presença (Salmo 42: 5)

 

Por que está abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei. Ele é a salvação da minha face, e o meu Deus. (Salmo 42: 11)

 

O local em nós onde se dá, principalmente, a depressão espiritual é a alma. Ela é o centro de nossos sentimentos. Aparentemente o que o salmista está fazendo é uma análise do seu problema a partir de algum mecanismo racional e de fé. Assim, pode-se dizer que está alinhando aquilo que crê, pensa e sente. Quando um desses esteve fora de sintonia (no caso o que ele sente) os outros entraram em ação para restabelecer a paz.

Quanto ao método usado pelo autor, primeiro ele vai abordar os princípios e depois os exemplos. Isso para que as ilustrações possam ser entendidas à luz de princípios claros.

O tema é importante no sentido de que o cristão não pode desperdiçar a sua vida. E como propõe o salmista é preciso fazer um exame, que é deixar que a razão conheça as emoções, pesquise-a.

Partindo da premissa do protestantismo clássico, como propõe Max Weber na sua “Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, o cristão vive para a glória de Deus. Mas contrariando propõe que o cristão não pode desprezar os prazeres dessa vida ou viver somente uma vida ascética.

Sobre o diagnóstico a primeira coisa a notar é o semblante, aliás, digo que todo o corpo deve ser observado, cada expressão pode identificar [ou não] o estado de depressão. Digo “ou não” pois o sujeito pode estar apenas usando uma máscara, seja ela de alegria ou felicidade.

Por isso o salmista vai perguntar a sua alma “por que estás abatida?” Pois existe uma série de razões para isso, Jones propõe uma, que é a personalidade, o salmista parece propor como causa o fato de que seus inimigos o questionam por algo que aconteceu e o separou do culto.

Assim, corpo e alma estão juntos, como na doutrina da unidade condicional proposta por Erikson e as coisas que se passam num “nível” interfere no outro, afinal, somos apenas uma pessoa, uma unidade que é condicionada pelas partes. A alimentação, o cansaço, alguma doença, essas coisas podem nos deprimir espiritualmente. E foram muitos os homens na Bíblia, ou fora dela, que passaram por depressão por conseqüência de algo exterior.

O salmista, ao ver que algo está errado, ou fragilizado, procura colocar a sua confiança em algo firme, como se mudasse da areia para a pedra. Ele lança a sua ansiedade em que pode cuidar dela, Deus.

Se a doença começa na alma, quando os sentimentos se confundem por algum motivo, neles deve começar a cura, daí, Jones propõe três etapas: 1. Examinar: que é perguntar saber os motivos, racionalizar e conhecer suas causas. 2. Exortar: dizer a si mesmo o que está errado mostrando a perspectiva correta. 3. Desafiar: Por uma perspectiva, um alvo a ser alcançado, um lugar a se chegar, fazer se movimentar.

Na sua perspectiva a razão está sobre os sentimentos. É quando os sentimentos, de forma equivocada, dominam a ação é que entramos em depressão.



Escrito por Alexandre Luquete às 11h46
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